segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Perigo no Mar

No período intermediário entre o rompimento de relações diplomáticas e sua declaração de guerra, o Brasil estava numa situação de quase-beligerância com a Alemanha e Itália.

Entre fevereiro e maio de 1942, os submarinos do Eixo torpedearam e afundaram no litoral dos Estados Unidos sete navios brasileiros, além do Buarque e o Olinda pelo U-432. O Arabutã e Floriano pelo U-155 pintados de cinza, que estariam navegando às escuras e sem bandeira, isto é, estariam em situação bastante irregular e comprometedora. O Cairú foi atacado pelo U-94, tendo a morte de 53 pessoas devido ao mau tempo que açoitava o mar e pegou os náufragos. O Parnaíba trazia na popa um canhão de 1200 mm, porém foi torpedeado em 1º de Maio pelo U-162 com 7 vitimas fatais. Ainda no Mês de Maio os navios Comandante Lyra foi afundado pelo submarino italiano Barbarigo próximo a Fernando de Noronha, o Gonçalves Dias também artilhado pelo U-502 no caribe.

Nos meses posteriores outros navios brasileiros viriam a ser torpedeados por submarinos do Eixo. A situação para a marinha mercante brasileira estava muito difícil. E ficaria mais ainda depois que aviões da FAB atacaram submarinos alemães e italianos que se encontravam sob a superfície na costa nordestina.
A Alemanha para revidar a agressão sofrida por seus U-bottes resolveu dar uma dura resposta de retaliação. Logo, os navios de navegação doméstica brasileiros se tornariam alvos da violência armada, feita em nome de uma reação punitiva. Os civis brasileiros pagariam muito caro pela audácia praticada pelos aviões da FAB.

A guerra chega ao Atlântico Sul

Em pouco tempo o Atlântico Sul virou teatro de operações. Na verdade as primeiras ações de combate da 2ª Guerra Mundial foram travadas nesta área. Em Agosto de 1939 o encouraçado alemão Almirante Graf Spee havia se deslocado para a região com o propósito de atacar unidades navais inglesas. O navio de guerra alemão afundou diversos navios mercantes. Para neutralizar a ameaça o almirantado britânico enviou uma força de destróieres para o Atlântico Sul.
No dia 13 de Dezembro de 1939 foi travada uma batalha feroz no litoral uruguaio entre o vaso de guerra alemão e a força tarefa inglesa, composta pelos cruzadores Camberlain e Exceter e pelos destróieres Ájax e Aquiles. Apesar da inferioridade numérica o Graf Spee levou vantagem sobre os navios ingleses. O Exceter precisou evadir-se, pois além de estar muito danificado seu sistema de combustível e armamento haviam sofrido sérias avarias. O navio alemão refugiou-se no porto de Montevidéu para reparar os seus estragos e avarias. Porém foi dado ao comandante do Graf Spee, capitão de mar e guerra Hans Langsdorf apenas 72 horas para reparar o navio. Como não conseguiu reparar as avarias da nave nestas condições, Langsdorf desembarcou a tripulação e com um grupo reduzido de homens levou o navio há pouco mais de 4 quilômetros da praia e o explodiu morrendo na ação.

Rompendo Relações Diplomáticas

Após o ataque japonês a Pearl Harbor, os americanos intensificaram sua política contra as nações do Eixo. Em 15 de Janeiro de 1942 realizou-se no Rio de Janeiro uma reunião de Ministros de Relações Exteriores das nações americanas. Nesta reunião decidiu-se pelo rompimento de relações diplomáticas com os países do Eixo.
A Alemanha era o 2º parceiro comercial do Brasil. Além disso, vários membros do governo eram simpáticos ao regime nazista. Mas apesar dos contrastes o governo brasileiro acatou a resolução e rompeu as relações diplomáticas com o Eixo no dia 28 de Janeiro de 1942. Com o fim das relações diplomáticas o Brasil se colocou contra os objetivos políticos e estratégicos das potências nazi-fascistas.
Já em fevereiro de 1942 o Eixo viria dar uma resposta agressiva ao governo brasileiro. No dia 15 de Fevereiro o navio Buarque sob o comando do capitão J.J. de Moura é torpedeado no Golfo do México, três dias depois o Olinda também é torpedeado. Ambos afundados pelo U-432.
O submarino italiano Da Vinci sob o comando do Capitão Luigi Cattani afundou o navio Cabedello no dia 25 de Fevereiro de 1942 fazendo 54 vitimas fatais.
Dessa maneira cruel o Eixo respondeu ao Brasil que sua neutralidade não seria mais respeitada. O rompimento de relações diplomáticas seria visto como um ato de guerra, conforme declarara o embaixador alemão ao ministro Oswaldo Aranha, “o rompimento das relações com as potências do Eixo: significaria, indubitavelmente, o estado de guerra latente, acarretando provavelmente ocorrências que equivaleriam à eclosão da guerra efetiva”.

Submarinos alemães uma ameaça

Submarinos alemães uma ameaça à navegação brasileira.

Em julho de 1940, a Inglaterra lutava sozinha contra a Itália e Alemanha. Para não sucumbir perante os agressores a Grã-Bretanha transformou-se em uma fortaleza que em pouco tempo se tornou sitiada pela força de submarinos do Eixo. A fortaleza estava longe de ser auto-suficiente. Além de armas, alimentos também precisavam ser trazidos de fora.

Boa parte dos alimentos consumidos pelos britânicos eram produzidos pelo Brasil, Chile, Uruguai e Argentina. Sendo assim o trânsito de navios mercantes ingleses era constante no Atlântico Sul.

Hitler reconhecendo a importância que as rotas ao sul do Equador tinham para o esforço de guerra britânico ordenou que a marinha alemã incursionasse naquela região. De acordo com a estratégia alemã, era necessário que se cortasse a rota de abastecimento inglesa.